“Gorda é a Mãe” é exatamente
a fala que descreve o escárnio que o protagonista Caronte sente e nutre pela
mãe portuguesa e que desencadeia sua obsessão por eliminar as obesas do Rio de
Janeiro na década de 1930.
Jô Soares que é tão famoso em diversas áreas de atuação,
disserta com habilidade primorosa em mais um arrebatador livro “As Esganadas”.
Com detalhamento fora do comum dos seus personagens bem como dos locais,
assemelhando com a escrita da famosa e célebre Agatha Christie. Jô não esconde
quem é o assassino do seu thriller e nos apresenta logo nas primeiras páginas,
ao contrário de Agatha que faz do suspense o ponto alto das suas histórias. O
autor escolhe a forma de como os detetives vão descobrir o criminoso e como
serão executados os crimes para prender a leitura em cada novo capítulo.
Outras características em que o suspense “As Esganadas”
se assemelha com o primeiro título publicado do autor “O Xangô de Baker Street”
é o vocabulário vasto, com palavras estrangeiras e muitas das vezes o
coloquialismo da época retradada. Até o merchandise
da época de ouro do rádio (principal veículo de comunicação daquela década) ele
utiliza com o personagem Rodolpho d’Alencastro.
As mortes são muito bem executadas e sempre misturadas
com receitas da culinária portuguesa, a história mescla momentos de
descontração com cenas divertidas em que os personagens utilizam para elucidar
crimes e ilustrar situações, como o detetive Tobias Esteves com seus ditos
populares lusitanos.
Jô Soares tem a característica e a habilidade de
entremear personagens reais com fictícios e que fazem parte de seu histórico
literário, como o famoso detetive Sherlock Holmes e o ex-presidente do Brasil
Getúlio Vargas, neste livro a forma como desenrola o final da trama é similar
aos de Agatha Christie e seu conhecido Hercule Poirot.
"Não se pode provar uma inocência, não há como fazê-lo porque a inocência é uma negativa, é a ausência de culpa" - Jô Soares
Livro: As Esganadas
Autor: Jô Soares
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 259

