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Resenha: A Garota Dinamarquesa

  Angústia, medo pelo personagem, dó, pena, empatia...esses são só alguns dos sentimentos que tive ao ler esse livro, e surpresa também porque não achei que esse livro fosse capaz de me prender e de me fazer comover dessa maneira com a história de Einar Weneger.

  O livro conta a história de Einar, um jovem aspirante à pintor, desde sua adolescência teve 'estranhos' (para a época) sentimentos por homens. Sentia algo a mais do que amizade, até que um dia, seu melhor amigo Hans, o fez 'brincar' de serem casados, e quando Hans avança o sinal, o pai de Einar entra na cozinha e os flagra, fazendo com que tudo o que o filho sentia, passasse a ser motivo de vergonha...se hoje em dia, ainda é difícil as pessoas aceitarem o público LGBT, vocês imaginam como era em 1920.

  Einar sempre escondeu tudo isso, mesmo sabendo que algo de estranho acontecia com ele, sempre reprimiu os seus sentimentos. Tornou-se professor e casou-se com uma de suas alunas, Greta, também pintora.

  "Fora então que Greta percebera que o prof. Weneger era, sob alguns aspectos, até mais jovem do que ela. Tinha o rosto de um menino, com a boca pequena e as orelhas constantemente vermelhas."
(pág. 30)

  Em uma tarde em que estavam trabalhando, cada um em sua parte do ateliê, Greta pede ao marido um imenso favor, a atriz que havia encomendado um quadro, não poderia comparecer ao horário marcado nesse dia para que posasse de modelo, então ela pede que seu marido vista as meias, o sapato e o vestido de Anna, sem nem imaginar o quanto aquilo seria doloroso pra Einar, ela achou até engraçado e o apelidou de Lili!

  E aí tudo mudou, a cada dia que passava Einar se via mais como Lili, se vestia como Lili, passeava com a esposa como Lili, até sangramentos mensais ele tinha.

  "Seus ombros não eram mais largos do que os de um garoto. Ele era um homem tão franzino que às vezes Greta achava que podia enrolar os braços duas vezes em torno dele. Ela ficou observando o ombro direito de Einar mexer-se ao enxaguar o pincel, e algo a mandou postar-se atrás dele, segurar-lhe os braços e cochichar-lhe que ficasse parado. Tudo o que ela queria era permitir que os desejos dele florescessem, mas ao mesmo tempo sentia o impulso irreprimível de abraçá-lo e dizer-lhe o que fazer quanto a Lili. Ficaram ali parados naquele apartamento, no sótão da Casa da Viúva, enquanto o crepúsculo enchia as janelas; Greta apertava Einar, que tinha os braços caídos ao longo do corpo. Por fim, e somente quando lhe ocorreu, ela disse: - Ela é quem sabe. Vai ser como ela quiser. "

  E é impressionante como o autor nos consegue passar isso, pois eram duas pessoas ali, Einar é totalmente diferente de Lili, outra personalidade. 
(pág 35)

  Depois de muito sofrimento, juntamente com Carlisle, irmão de Greta, eles começam a procurar ajuda médica, ele passa por tantas consultas, tanto médico ignorante, até de esquizofrênico ele foi chamado, sofri junto com o personagem.

  Até que encontram o Prof. Bolk que promete dar a ajuda que Einar e Lili precisam.

  Um tema super difícil de ser abordado mas que o autor conseguiu colocar de uma maneira tão linda e pura! Recomento muito a leitura desse lindo livro.

  Há o filme também, dizem que o ator Eddie Redmayne está incrível!
  Meu próximo passo é assistir ao filme!


  Recomendo muito a leitura desse livro...tanta gente que diz ser frescura os homens que se vêm como mulher, leia esse livro, entenda o que se passa dentro deles e depois tire as suas conclusões!

  Livro: A Garota Dinamarquesa
  Autor: David Ebershof
  Editora: Rocco
  Selo: Fábrica 123
  Páginas: 363

  Espero que tenham gostado.
  Um beijo e até a próxima.
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